O tema central deste livro é a batalha pelo imaginário popular no Brasil, travada durante a transição da Monarquia para a República (1889 até o término do século XIX). A manipulação do imaginário social é importante na redefinição de identidades coletivas e é nessa scene transitória, no exato momento em que se cria uma história e se luta por ela, que o historiador e cientista político José Murilo de Carvalho insere o assunto de seu livro.
A formação das almas é uma compilação de ensaios já publicados pelo autor juntos a outros inéditos. É uma história – tese, pois conta uma história transpassando fontes, para provar uma tese. Um documentário analítico, cujos fatos descritos são de difíceis percepções para os menos atentos que viveram o período, ou para os que vivem no tempo presente. O livro desvenda os mistérios do que estava coberto de forma imperceptível.
O título do livro pressupõe o relato de uma formação das almas e ao lermos esse, percebemos um sistema de formação psíquica popular, pós – republicana processada pela manipulação de um aparato de representações. Entretanto, com esse título o autor também pretende formar, através de uma reestruturação dos conceitos anteriores criados, novas almas atentas às verdadeiras significações desses elementos, vislumbrados, até então, de maneira acrítica.
A educação e os costumes são hereditários, porém mutáveis temporalmente, além de variáveis conforme o lugar. Ao nos atentarmos à relação educação/tempo, percebemos que se faz necessária uma ruptura para se alterar paradigmas. Seja esta através de um movimento cultural ou proferida pela própria ciência. A ciência humana, utilizada por José Murilo de Carvalho abriu uma rachadura cultural, algo capaz de provocar uma mudança no status quo. Não repentinamente, como uma revolução. E sim, num crescer gradativo já perceptível aos mais atentos.
No livro, a história como legitimadora aparece no instante em que se constrói uma consciência. Todos os atores dessa construção de retórica suasória possuíam consciência de seus feitos. José Murilo deixa claro esse fato. Foi uma tentativa de se criar um “fetiche” republicano pelo emprego literário e artístico: símbolos, alegorias, rituais e mitos; perante uma não – elite, num devir pós – Proclamação da República, que melhor representasse grupos interessados em serem representados. Esses se valiam de tudo descrito acima para reforçar suas argumentações.
Essa trama foi conduzida principalmente por idealistas do modelo francês, além dos positivistas. Os positivistas davam total apoio à maior parte dos aparatos representadores, por fim, implantados. Eles valorizavam o papel do ditador, do congresso, as normas eleitorais, as políticas educacionais, etc. Enquanto os jacobinos, seguidores de um ideal francês, insistiam que era fundamental a participação popular. A introdução do livro situa ao leitor como foi esse ambiente político - filosófico da época. Nessa parte há uma descrição mais profunda dos grupos ideológicos que, através de seus integrantes, faziam parte do governo. Excluindo alguns resistentes atuantes nesses grupos, a maior parte deles era favorável a república.
Entre a parca contribuição jacobina, podemos citar, como maior feito mostrado pelo autor, o do hino nacional. A letra de Francisco Manuel estava em desuso desde a monarquia. Então, tendo como pressuposto tal desuso da letra, buscaram mudar não só esta, mas todo o instrumental do hino. Até certa parte, o feito foi vão. Foi impossível mudar o hino sem gerar uma insurreição popular. Por isso o instrumental dele continuou utilizado com uma letra nova, composta por Osório Duque Estrada. O autor analisa essa ocorrente como sendo “as raízes populares do hino imperial.” (p. 127). A vitória jacobina está na utilização do hino pelos populares, que o cantam nos momentos de extravagância das emoções cívicas.
Diante de uma sociedade hierarquizada e desigual, as especulações financeiras, causada pela demasiada emissão de papel moeda que assolava o país, foi o campo ideal para a criação da república que, mesmo assistida pelos cidadãos brasileiros de forma “bestializada”, acabou aceita por eles.
Adiciona que seria relevante, um ponto de debate, entre a intelectualidade republicana, recorrente na época: liberdade privada e pública. O indivíduo e a comunidade. Como eles se relacionam? O enfraquecimento na constituinte de um resultaria o fortalecimento do outro? Havia grandes anseios dos formadores de opinião por definir a liberdade e autonomia. Só doravante, tal sentimento, surgiria nas camadas populares.
Apesar de não suprir a demanda popular, o regime monárquico parlamentarista brasileiro era um dos mais avançados da época. Num período em que o mundo vivenciava uma contra-revolução francesa, voltando a optar pelo regime monarquista, o Brasil, por ter tido, a França como guiadora, assim afirma José Murilo, se entregou a um regime republicano oligárquico. O ocorrido baseou-se no fato de que os brasileiros tinham esperanças, mesmo que não entendessem a mudança. Esperavam uma melhor vida, que só poderia ser obtida pela reativação econômica que se encontrava enfraquecida no país.
Pós - proclamação da república foi preciso, através de elementos unificadores, ligar: Estado (representação em corte de alguma classe social) e Nação (conjunto de indivíduos de um país organizado politicamente num Estado autônomo), para que assim o popular, mesmo que estando, nas palavras de José Murilo “abobado”, compreendesse no futuro essa mudança. É incoerente, pelo próprio significado da palavra, que haja Nação, sob o estigma da república, sem um respaldo popular. Para tal representação, propuseram absurdos, até chegarmos ao conjunto de símbolos consensual.
Tiradentes virou um herói, vislumbrado por José Murilo, como utópico. O cristo imaculado, cuja representação moral e até visual feita deste pela arte, faz lembrar o unigênito de Deus. O autor mostra que não há relatos, retratos e nem nenhuma vertigem (como exemplo um Santo Sudário) que possibilitasse imaginar como seria sua figura. A desmistificação de Tiradentes como herói cívico acompanha todo o capítulo 3. O trecho de José Murilo que, poderia melhor expressar o feito referente à pessoa de Tiradentes é: “O domínio do mito é o imaginário que se manifesta na tradição escrita e oral, na produção artística, nos rituais. A formação do mito pode dar-se contra evidência documental; o imaginário pode interpretar evidências segundo mecanismos simbólicos que lhe são próprios e que não se enquadram necessariamente na retórica da narrativa histórica.” (p. 58). A figura mitológica, do mártir, foi reivindicada pelos positivistas e até mesmo pelos monarquistas, havendo ainda uma proposta, no início do século XX, de fazê-lo um herói anarquista. O autor aqui mostra como um só ser, encarnou várias personificações.
Outros símbolos, além dos já citados, que José Murilo analisa, são a bandeira nacional e alguns monumentos presentes em vias públicas. A bandeira seguiu o mesmo desenho geométrico do império. Sua remodelação ficou a cargo dos dizeres positivistas: “ordem e progresso”. Quanto aos monumentos, José Murilo, retrata através deles, o que podemos adjetivar, nesse trabalho, como sendo uma briga por território entre os jacobinos e positivistas. Eles queriam os espaços de maior relevância para agregar valores a suas representações perante o povo.
O capítulo 4 é de vital importância. Nele, o autor não analisa um símbolo, e sim um dos maiores fracassos ao se tentar criar um. O capítulo retrata a tentativa de introduzir a figura feminina na República. Nessa, novamente, a influência francesa é notória. Desde 1872 a república na França utilizou a figura da mulher como representante de liberdade. A inspiração veio da antiga Roma. Aos poucos, jornais oposicionistas passaram a ridicularizar o símbolo, através de charges. Assim, a alegoria feminina da república virou sinônimo de chacota, sendo abandonado pelos republicanos. O fato ainda é muito desconhecido no país. Neste caso, entendo como sendo fácil analisar um símbolo existente, mas como pensar e se descobrir uma tentativa, de se criar um, cuja temporalidade a memória popular já não a remetem mais? Preciso é uma pesquisa bem apurada, e esse seria o diferencial do trabalho de José Murilo. Ele não parte de um assunto conhecido cooperando através de novas perspectivas e sim de um assunto novo com uma, logicamente, primeira perspectiva.
O autor é muito detalhista. Mostra, nos amiúdes a boa pesquisa de seu livro. Além da pesquisa, que desenterrou a alegoria feminina da república, podemos citar como pormenor as várias personificações de Tiradentes perante as múltiplas facetas ideológicas. José Murilo vai do movimento monarquista ao positivista passando pelo anarco – sindicalismo do início do século XX e narra como todos pretendiam se apropriar da figura martirizada.
Na conclusão do livro o autor é breve. Em apenas uma página e numa pequena parte da outra, expõe algo inegável mediante os fatos enumerados no livro e resenhados aqui de forma esmiuçada: a falha dos esforços das correntes republicanas em legitimar a república, fora dos parâmetros do Império. Se, obtiveram algum êxito, esse foi graças ao que o autor chama de “compromissos com a tradição imperial” (p. 141). Ou seja, elementos que serviram como legitimadores da república são oriundos da monarquia.
Todo descrito até aqui, justifica a posição de José Murilo pró – Monarquia no plebiscito de 1993. Seria uma volta ao modelo puro de simulacros. Talvez uma passagem posterior para a república, ou para outro tipo de governo, fosse aceita pelo historiador, desde que a transição possuísse legitimidade com elementos respaldados por uma história, senão verídica, pelo menos com maior grau de veracidade.
Essa tarefa de convencimento, pela propaganda dissimulada em símbolos, numa sociedade onde a mídia não estava tão onipresente, talvez pudesse ser o pressuposto dum outro trabalho que fosse uma continuação, complemento desta. Propaganda que anos depois, o teórico francês Guy Debord diria que dissuade, persuade criando uma falsa consciência. O trabalho partiria de uma amostra psíquica referente ao feedback dessas propagandas. Mostrando os pontos que falhou e levantando os porquês dessas falhas e também utilizando os pontos de sucesso dela. Um estudo voltado para análise da criação desses aparatos representativos desse período e a reação das pessoas frente a ela. Sei que já se vão anos, porém os jornais, mesmo fontes falhas, demonstram o cabedal sentimentalista do seu público alvo e de si. A imprensa é gerada no calor da emoção e influenciada pelo presente em que se situa. Acredito que isso seria um trabalho oportuno de três disciplinas: a psicológica, a semiológica e a historiográfica.
Postado por Luiz Fernando Sancho às 07:06
A formação das almas é uma compilação de ensaios já publicados pelo autor juntos a outros inéditos. É uma história – tese, pois conta uma história transpassando fontes, para provar uma tese. Um documentário analítico, cujos fatos descritos são de difíceis percepções para os menos atentos que viveram o período, ou para os que vivem no tempo presente. O livro desvenda os mistérios do que estava coberto de forma imperceptível.
O título do livro pressupõe o relato de uma formação das almas e ao lermos esse, percebemos um sistema de formação psíquica popular, pós – republicana processada pela manipulação de um aparato de representações. Entretanto, com esse título o autor também pretende formar, através de uma reestruturação dos conceitos anteriores criados, novas almas atentas às verdadeiras significações desses elementos, vislumbrados, até então, de maneira acrítica.
A educação e os costumes são hereditários, porém mutáveis temporalmente, além de variáveis conforme o lugar. Ao nos atentarmos à relação educação/tempo, percebemos que se faz necessária uma ruptura para se alterar paradigmas. Seja esta através de um movimento cultural ou proferida pela própria ciência. A ciência humana, utilizada por José Murilo de Carvalho abriu uma rachadura cultural, algo capaz de provocar uma mudança no status quo. Não repentinamente, como uma revolução. E sim, num crescer gradativo já perceptível aos mais atentos.
No livro, a história como legitimadora aparece no instante em que se constrói uma consciência. Todos os atores dessa construção de retórica suasória possuíam consciência de seus feitos. José Murilo deixa claro esse fato. Foi uma tentativa de se criar um “fetiche” republicano pelo emprego literário e artístico: símbolos, alegorias, rituais e mitos; perante uma não – elite, num devir pós – Proclamação da República, que melhor representasse grupos interessados em serem representados. Esses se valiam de tudo descrito acima para reforçar suas argumentações.
Essa trama foi conduzida principalmente por idealistas do modelo francês, além dos positivistas. Os positivistas davam total apoio à maior parte dos aparatos representadores, por fim, implantados. Eles valorizavam o papel do ditador, do congresso, as normas eleitorais, as políticas educacionais, etc. Enquanto os jacobinos, seguidores de um ideal francês, insistiam que era fundamental a participação popular. A introdução do livro situa ao leitor como foi esse ambiente político - filosófico da época. Nessa parte há uma descrição mais profunda dos grupos ideológicos que, através de seus integrantes, faziam parte do governo. Excluindo alguns resistentes atuantes nesses grupos, a maior parte deles era favorável a república.
Entre a parca contribuição jacobina, podemos citar, como maior feito mostrado pelo autor, o do hino nacional. A letra de Francisco Manuel estava em desuso desde a monarquia. Então, tendo como pressuposto tal desuso da letra, buscaram mudar não só esta, mas todo o instrumental do hino. Até certa parte, o feito foi vão. Foi impossível mudar o hino sem gerar uma insurreição popular. Por isso o instrumental dele continuou utilizado com uma letra nova, composta por Osório Duque Estrada. O autor analisa essa ocorrente como sendo “as raízes populares do hino imperial.” (p. 127). A vitória jacobina está na utilização do hino pelos populares, que o cantam nos momentos de extravagância das emoções cívicas.
Diante de uma sociedade hierarquizada e desigual, as especulações financeiras, causada pela demasiada emissão de papel moeda que assolava o país, foi o campo ideal para a criação da república que, mesmo assistida pelos cidadãos brasileiros de forma “bestializada”, acabou aceita por eles.
Adiciona que seria relevante, um ponto de debate, entre a intelectualidade republicana, recorrente na época: liberdade privada e pública. O indivíduo e a comunidade. Como eles se relacionam? O enfraquecimento na constituinte de um resultaria o fortalecimento do outro? Havia grandes anseios dos formadores de opinião por definir a liberdade e autonomia. Só doravante, tal sentimento, surgiria nas camadas populares.
Apesar de não suprir a demanda popular, o regime monárquico parlamentarista brasileiro era um dos mais avançados da época. Num período em que o mundo vivenciava uma contra-revolução francesa, voltando a optar pelo regime monarquista, o Brasil, por ter tido, a França como guiadora, assim afirma José Murilo, se entregou a um regime republicano oligárquico. O ocorrido baseou-se no fato de que os brasileiros tinham esperanças, mesmo que não entendessem a mudança. Esperavam uma melhor vida, que só poderia ser obtida pela reativação econômica que se encontrava enfraquecida no país.
Pós - proclamação da república foi preciso, através de elementos unificadores, ligar: Estado (representação em corte de alguma classe social) e Nação (conjunto de indivíduos de um país organizado politicamente num Estado autônomo), para que assim o popular, mesmo que estando, nas palavras de José Murilo “abobado”, compreendesse no futuro essa mudança. É incoerente, pelo próprio significado da palavra, que haja Nação, sob o estigma da república, sem um respaldo popular. Para tal representação, propuseram absurdos, até chegarmos ao conjunto de símbolos consensual.
Tiradentes virou um herói, vislumbrado por José Murilo, como utópico. O cristo imaculado, cuja representação moral e até visual feita deste pela arte, faz lembrar o unigênito de Deus. O autor mostra que não há relatos, retratos e nem nenhuma vertigem (como exemplo um Santo Sudário) que possibilitasse imaginar como seria sua figura. A desmistificação de Tiradentes como herói cívico acompanha todo o capítulo 3. O trecho de José Murilo que, poderia melhor expressar o feito referente à pessoa de Tiradentes é: “O domínio do mito é o imaginário que se manifesta na tradição escrita e oral, na produção artística, nos rituais. A formação do mito pode dar-se contra evidência documental; o imaginário pode interpretar evidências segundo mecanismos simbólicos que lhe são próprios e que não se enquadram necessariamente na retórica da narrativa histórica.” (p. 58). A figura mitológica, do mártir, foi reivindicada pelos positivistas e até mesmo pelos monarquistas, havendo ainda uma proposta, no início do século XX, de fazê-lo um herói anarquista. O autor aqui mostra como um só ser, encarnou várias personificações.
Outros símbolos, além dos já citados, que José Murilo analisa, são a bandeira nacional e alguns monumentos presentes em vias públicas. A bandeira seguiu o mesmo desenho geométrico do império. Sua remodelação ficou a cargo dos dizeres positivistas: “ordem e progresso”. Quanto aos monumentos, José Murilo, retrata através deles, o que podemos adjetivar, nesse trabalho, como sendo uma briga por território entre os jacobinos e positivistas. Eles queriam os espaços de maior relevância para agregar valores a suas representações perante o povo.
O capítulo 4 é de vital importância. Nele, o autor não analisa um símbolo, e sim um dos maiores fracassos ao se tentar criar um. O capítulo retrata a tentativa de introduzir a figura feminina na República. Nessa, novamente, a influência francesa é notória. Desde 1872 a república na França utilizou a figura da mulher como representante de liberdade. A inspiração veio da antiga Roma. Aos poucos, jornais oposicionistas passaram a ridicularizar o símbolo, através de charges. Assim, a alegoria feminina da república virou sinônimo de chacota, sendo abandonado pelos republicanos. O fato ainda é muito desconhecido no país. Neste caso, entendo como sendo fácil analisar um símbolo existente, mas como pensar e se descobrir uma tentativa, de se criar um, cuja temporalidade a memória popular já não a remetem mais? Preciso é uma pesquisa bem apurada, e esse seria o diferencial do trabalho de José Murilo. Ele não parte de um assunto conhecido cooperando através de novas perspectivas e sim de um assunto novo com uma, logicamente, primeira perspectiva.
O autor é muito detalhista. Mostra, nos amiúdes a boa pesquisa de seu livro. Além da pesquisa, que desenterrou a alegoria feminina da república, podemos citar como pormenor as várias personificações de Tiradentes perante as múltiplas facetas ideológicas. José Murilo vai do movimento monarquista ao positivista passando pelo anarco – sindicalismo do início do século XX e narra como todos pretendiam se apropriar da figura martirizada.
Na conclusão do livro o autor é breve. Em apenas uma página e numa pequena parte da outra, expõe algo inegável mediante os fatos enumerados no livro e resenhados aqui de forma esmiuçada: a falha dos esforços das correntes republicanas em legitimar a república, fora dos parâmetros do Império. Se, obtiveram algum êxito, esse foi graças ao que o autor chama de “compromissos com a tradição imperial” (p. 141). Ou seja, elementos que serviram como legitimadores da república são oriundos da monarquia.
Todo descrito até aqui, justifica a posição de José Murilo pró – Monarquia no plebiscito de 1993. Seria uma volta ao modelo puro de simulacros. Talvez uma passagem posterior para a república, ou para outro tipo de governo, fosse aceita pelo historiador, desde que a transição possuísse legitimidade com elementos respaldados por uma história, senão verídica, pelo menos com maior grau de veracidade.
Essa tarefa de convencimento, pela propaganda dissimulada em símbolos, numa sociedade onde a mídia não estava tão onipresente, talvez pudesse ser o pressuposto dum outro trabalho que fosse uma continuação, complemento desta. Propaganda que anos depois, o teórico francês Guy Debord diria que dissuade, persuade criando uma falsa consciência. O trabalho partiria de uma amostra psíquica referente ao feedback dessas propagandas. Mostrando os pontos que falhou e levantando os porquês dessas falhas e também utilizando os pontos de sucesso dela. Um estudo voltado para análise da criação desses aparatos representativos desse período e a reação das pessoas frente a ela. Sei que já se vão anos, porém os jornais, mesmo fontes falhas, demonstram o cabedal sentimentalista do seu público alvo e de si. A imprensa é gerada no calor da emoção e influenciada pelo presente em que se situa. Acredito que isso seria um trabalho oportuno de três disciplinas: a psicológica, a semiológica e a historiográfica.
Postado por Luiz Fernando Sancho às 07:06
Jackiria ,a resenha ficou muito boa. A Formação das Almas é um livro muito interessante, no qual eu tive o prazer de ler e inclusive me orientou no artigo que escrevi para a disciplina de Brasil, BELLE ÉPOQUE: Nostalgia parisiense na elite carioca no inicio do século XX.O José Murilo de Carvalho, tras com propriedade os elemetos de transição da Monarquia para a República.Dar para fazer uma viagem no tempo devido a riqueza de detalhes.
ResponderExcluirGostei muito de sua resenha. Parabéns!
Tive a oportunidade de Lê o livro de Murilo de carvalho "A formação das almas",o qual retrata a ideologia republicana na criação dos símbolos e herois brasileiro.Seu trabalho vêem enriquecer ainda mais nossos conhecimentos.Valeu
ResponderExcluirObrigada meninas pela consideração espero que realmente tenham gostado, para assim podermos dialogar mais nas próximas postagens.
ResponderExcluirFormação das Almas é um livro interessante, e ainda mis sendo do Murilo de Carvalho....essa obra nos deixa claro o desfeche da transitória de Monarquia para República, por vários caminhos dentre eles representaçães por símbolos, alegorias, rituais e mitos que melhor representassem tais grupos interessados a serem representados!!!!!!
ResponderExcluirMuito bom colega!
Esse livro é uma obra essencial para se compreender a criação de simbolos que hoje estão presente na educação, e que se tornan quase que inseparavéis de seus temas a figura de Herois e simbolos como a bandeira, o hino nacional dentre outros. O informação traz modificações de pensamento e este livro contribui para a desmestificação de conceitos e de ideologias.
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