Resenha do filme "1492: A Conquista do Paraíso" elaborada por Jackiria Gino Lula Rezende
TODOROV, Tzevetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo Martins Fontes, 2003.
1492: A conquista do paraíso (Título original “1492: Conquest of Paradise”). Direção de Ridley Scott. Roteiro de Roselyne Bosch. Local de lançamento: EUA / Inglaterra / França / Espanha: Paramount Pictures, 1992. 1 filme (148 min.): leg. Color.
O filme referido retrata o período em que Cristóvão Colombo, interpretado por Gerard Depardieu, vai em busca de novas rotas para se chegar às Índias em pleno século XV. Busca esta realizada em três viagens que se tornaram um marco na vida deste homem e de todos que o acompanharam. O descobrimento em si da América, foi marcado pelo desastroso comportamento que os europeus tiveram com os habitantes do Novo Mundo e todas as ações que Colombo realizou para colonizar o continente que ele descobriu “por acaso”.
Na obra, Colombo a princípio é visto como um louco que desejava desvendar o impossível, o além-mar. Encontra muitas dificuldades para realizar seu desejo e financiar seu projeto, já que é considerado tanto por Portugal como pela Espanha um estrangeiro, e ele realmente o é. Porém ele consegue, não do dia para a noite e com muitas resistências, reverter essa situação. Ao convencer as duas lideranças principais da época, a nobreza e a Igreja, ele afirma propagar a fé católica e obter lucros para a Coroa espanhola, mais especificamente prometia encontrar ouro.
Em contraposição a essas idéias, pode-se afirmar que ele desejava não somente isso, mas principalmente descobrir novas terras e alcançar títulos por desbravar novos mares, o que até então estava fora de cogitação. Tzevetan Todorov afirma em sua obra A conquista da América: a questão do outro (2003) que “os lucros que ali devem haver têm apenas um interesse secundário para Colombo. O que conta são terras e sua descoberta.” p.17. Realmente o interesse de Colombo sempre se voltava para o seu projeto, ficando em segundo plano as outras descobertas que ali houvessem embora nunca descartadas.
Ao descrever Colombo, através de suas ações, o filme sugere uma imagem otimista, de um homem bondoso, amoroso e preocupado com o próximo. Segundo ainda Todorov, no que diz respeito ao trato com os povos deste Novo Mundo, Colombo foi muito cruel e indiferente, e todos aqueles que chegaram com ele.
O primeiro contato entre as culturas européia e indígena, se é que se pode chamar este último assim, é apresentado com um clima de hospitalidade, curiosidade e comunhão, porém a ambição falou mais alto e a batalha travada na busca incessante ao ouro ou quaisquer outras riquezas “acaba” em muito derramamento de sangue, e o que é pior de muitos inocentes. Colombo nada poderia fazer. Mas será que Colombo realmente se importava com o outro, como mostra o filme?
Está aí uma lacuna muito grande quanto aos reais motivos que o levaram a se arriscar tanto. Ele apenas pensava no bem de quem encontraria nas novas terras isso é perceptível nas cenas do filme. No entanto, ao analisar outras obras referentes ao assunto, fica claro que a obra apresenta “a descoberta da América” como uma paixão, aonde um homem deslumbrado por navegações, vai a busca desse novo mundo, novos ares, novas terras. Tudo isso, porém, sabemos que é produzido no intuito de convencer o público alvo de que foi realmente uma aventura alucinante e que no final, se é que existiu um final, deu grandes méritos ao Cristóvão Colombo. Ridley Scott em vários momentos faz uma camuflagem do Colombo descrito por Todorov. Este último vai além do que se imagina e o vê como um verdadeiro hermeneuta, com o dom de interpretar sinais. O filme apresenta isto, no entanto se percebe a superficialidade de como é tratado. Era este almirante um finalista que alcançava seu sucesso devido a essa façanha que convencia a “qualquer um”.
Um ponto, porém apresentado que é de grande aproveitamento para o desenvolvimento crítico, que leva a refletir sobre a forma de dominação praticada por Colombo e demais europeus, é sem dúvida a construção de um forte com um enorme sino, símbolo da Igreja Católica, afirmando ali a presença de “novos donos”. Sugere ainda a interpretação de que aquele povo não tinha religião, cultura e muito menos um DEUS e que precisavam urgentemente ser “humanizados” para a honra e glória do Altíssimo, o que desqualificava qualquer pré-conhecimento adquirido por eles.
Considerando, portanto o caráter informativo altíssimo, além de apresentar idéias que possam despertar o conformismo levando-nos a acreditar que a América foi realmente “descoberta” por Colombo, o filme é de total interesse a todos que buscam desenvolver várias leituras acerca desta “descoberta do continente americano”. É ainda importantíssimo aos que necessitam de um aprofundamento nesta, que podemos chamar de “viagem ao paraíso”. No entanto é necessário um pré-conhecimento de historiadores/teóricos dissertadores do tema abordado pelo filme, para assim analisa-lo num todo, com um olhar crítico e de caráter investigatório.
1492: A conquista do paraíso (Título original “1492: Conquest of Paradise”). Direção de Ridley Scott. Roteiro de Roselyne Bosch. Local de lançamento: EUA / Inglaterra / França / Espanha: Paramount Pictures, 1992. 1 filme (148 min.): leg. Color.
O filme referido retrata o período em que Cristóvão Colombo, interpretado por Gerard Depardieu, vai em busca de novas rotas para se chegar às Índias em pleno século XV. Busca esta realizada em três viagens que se tornaram um marco na vida deste homem e de todos que o acompanharam. O descobrimento em si da América, foi marcado pelo desastroso comportamento que os europeus tiveram com os habitantes do Novo Mundo e todas as ações que Colombo realizou para colonizar o continente que ele descobriu “por acaso”.
Na obra, Colombo a princípio é visto como um louco que desejava desvendar o impossível, o além-mar. Encontra muitas dificuldades para realizar seu desejo e financiar seu projeto, já que é considerado tanto por Portugal como pela Espanha um estrangeiro, e ele realmente o é. Porém ele consegue, não do dia para a noite e com muitas resistências, reverter essa situação. Ao convencer as duas lideranças principais da época, a nobreza e a Igreja, ele afirma propagar a fé católica e obter lucros para a Coroa espanhola, mais especificamente prometia encontrar ouro.
Em contraposição a essas idéias, pode-se afirmar que ele desejava não somente isso, mas principalmente descobrir novas terras e alcançar títulos por desbravar novos mares, o que até então estava fora de cogitação. Tzevetan Todorov afirma em sua obra A conquista da América: a questão do outro (2003) que “os lucros que ali devem haver têm apenas um interesse secundário para Colombo. O que conta são terras e sua descoberta.” p.17. Realmente o interesse de Colombo sempre se voltava para o seu projeto, ficando em segundo plano as outras descobertas que ali houvessem embora nunca descartadas.
Ao descrever Colombo, através de suas ações, o filme sugere uma imagem otimista, de um homem bondoso, amoroso e preocupado com o próximo. Segundo ainda Todorov, no que diz respeito ao trato com os povos deste Novo Mundo, Colombo foi muito cruel e indiferente, e todos aqueles que chegaram com ele.
O primeiro contato entre as culturas européia e indígena, se é que se pode chamar este último assim, é apresentado com um clima de hospitalidade, curiosidade e comunhão, porém a ambição falou mais alto e a batalha travada na busca incessante ao ouro ou quaisquer outras riquezas “acaba” em muito derramamento de sangue, e o que é pior de muitos inocentes. Colombo nada poderia fazer. Mas será que Colombo realmente se importava com o outro, como mostra o filme?
Está aí uma lacuna muito grande quanto aos reais motivos que o levaram a se arriscar tanto. Ele apenas pensava no bem de quem encontraria nas novas terras isso é perceptível nas cenas do filme. No entanto, ao analisar outras obras referentes ao assunto, fica claro que a obra apresenta “a descoberta da América” como uma paixão, aonde um homem deslumbrado por navegações, vai a busca desse novo mundo, novos ares, novas terras. Tudo isso, porém, sabemos que é produzido no intuito de convencer o público alvo de que foi realmente uma aventura alucinante e que no final, se é que existiu um final, deu grandes méritos ao Cristóvão Colombo. Ridley Scott em vários momentos faz uma camuflagem do Colombo descrito por Todorov. Este último vai além do que se imagina e o vê como um verdadeiro hermeneuta, com o dom de interpretar sinais. O filme apresenta isto, no entanto se percebe a superficialidade de como é tratado. Era este almirante um finalista que alcançava seu sucesso devido a essa façanha que convencia a “qualquer um”.
Um ponto, porém apresentado que é de grande aproveitamento para o desenvolvimento crítico, que leva a refletir sobre a forma de dominação praticada por Colombo e demais europeus, é sem dúvida a construção de um forte com um enorme sino, símbolo da Igreja Católica, afirmando ali a presença de “novos donos”. Sugere ainda a interpretação de que aquele povo não tinha religião, cultura e muito menos um DEUS e que precisavam urgentemente ser “humanizados” para a honra e glória do Altíssimo, o que desqualificava qualquer pré-conhecimento adquirido por eles.
Considerando, portanto o caráter informativo altíssimo, além de apresentar idéias que possam despertar o conformismo levando-nos a acreditar que a América foi realmente “descoberta” por Colombo, o filme é de total interesse a todos que buscam desenvolver várias leituras acerca desta “descoberta do continente americano”. É ainda importantíssimo aos que necessitam de um aprofundamento nesta, que podemos chamar de “viagem ao paraíso”. No entanto é necessário um pré-conhecimento de historiadores/teóricos dissertadores do tema abordado pelo filme, para assim analisa-lo num todo, com um olhar crítico e de caráter investigatório.
Postado por Jackiria Lula em 11/07/2010
Tudo em nome da Fé e dos interesses pessoais.Não poderia ser diferente em se tratando da descoberta do Novo MUNDO.
ResponderExcluirJack,gosteio muito da sua resenha, lecionar sobre o descobrimento da América usando como fonte um filme é muito legal. Você nos apontou como é necessário questionar sobre os reais interesses do filme. Discutir sobre os reais interesses de Colombo, da Igreja e o da Nobresa, apontando que nem tudo o que aparece no filme é o que relamente aconteceu.
ResponderExcluirGostei muito de seu comentário sobre o filme... Vou sugeri-lo aos meus alunos de E.J.A. Obrigado!
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