Resenha: Pro Dia Nascer Feliz
JARDIM, João. Pro Dia Nascer Feliz. Filme Documentário, produção TAMBELLINI Filme, São Paulo, ano 2006.
JARDIM, João. Pro Dia Nascer Feliz. Filme Documentário, produção TAMBELLINI Filme, São Paulo, ano 2006.
João Jardim nasceu em 1964, no Rio de Janeiro. Formou-se em Jornalismo pela Faculdade da Cidade e estudou Cinema na Universidade de Nova Iorque. Participou do núcleo do diretor Carlos Manga, na TV Globo, onde realizou a minissérie “Engraçadinha” e editou “Memorial de Maria Moura” e “Agosto”. Editou diferentes trabalhos de Walter Salles e Eduardo Escorel para a TV independente. Foi assistente de direção em longas-metragens de Murilo Salles (“Faca de Dois Gumes”) e Cacá Diegues (“Dias Melhores Virão”). Diretor de “A Janela da Alma”, seu primeiro longa metragem que recebeu 11 prêmios nacionais e internacionais.
A produção do filme documentário Pro Dia Nascer Feliz recebeu uma indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Edição - Documentário, ganhou os Kikitos de Ouro de Melhor Filme - Júri Popular, Melhor Trilha Sonora, o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica, no Festival de Gramado, ganhou ainda o prêmio de Melhor Documentário - Júri Oficial, o Prêmio da Juventude e o Prêmio Bombril de Melhor Documentário Brasileiro, na Mostra de Cinema de São Paulo.
O filme é apresentado em cenas coloridas e em preto e branco. A trilha sonora conta com Cazuza e Titãs, tendo como responsável Dado Villa Lobos. A produção é composta por cenas intercaladas e organizadas de modo a apresentar as realidades e particularidades dos alunos e professores, em suas determinadas regiões a partir de suas próprias falas, dirigido, portanto para adolescentes, professores e pais. O objetivo principal da obra é provocar uma reflexão sobre o tema educação de uma forma simples para despertar as pessoas de que a escola precisa ser prioridade. Outros aspectos debatidos são a questão da subjetividade e do comportamento dos envolvidos no processo de aprendizagem. Ele busca trazer uma outra visão para algo já conhecido, na verdade o filme quer apresentar o fato de que muitas coisas precisam ser feitas para mudar o quadro em que a educação se encontra.
O diretor João Jardim apresenta um panorama sobre as adversidades enfrentadas pelo adolescente brasileiro na escola, envolvendo preconceito, precariedade, violência e esperança. Adolescentes de três estados, de classes sociais distintas, falam de suas vidas na escola, seus projetos e inquietações.
Sem dúvida a leitura que se faz de uma produção como esta é de suma importância para futuros docentes se aproximarem, conhecerem e procurarem entender como se dão as relações nesse universo educacional. Nesse sentido são notórias as várias contribuições para quem o analisa por uma vertente crítica, desde as várias realidades apresentadas às falas de otimismo que apontam para a necessidade de se mudar a maneira de lidar com o conhecimento e como apresentá-lo aos alunos. Ainda contribui no que se refere à necessidade de introduzir outros profissionais na educação, além de professores, diretores, secretários, pois em muitas das vezes o professor acaba por fazer o papel que a sua formação não lhe permiti, como por exemplo, psicólogo, assistente social, pai e mãe, o que torna difícil a prática docente ser realizada com resultados positivos.
É um documentário que não apresenta falhas no decorrer de sua exibição, até porque se trata de falas expressas naturalmente de uma triste realidade na vida de professores, alunos adolescentes e confusos, de um sistema educacional fragilizado diante um quadro de professores que pressionam e outros pessimistas e descomprometidos, consequentemente alunos que sofrem com a pressão e com o descaso.
Nas imagens expostas das aulas muitos aspectos de um paradigma tradicional são detectáveis. Professores que não levam em conta o contexto, as vivências dos alunos, ou ainda aqueles que se prendem, no caso da disciplina de História, à grandes heróis, a acontecimentos isolados e formulam perguntas inadequadas aos alunos, entre outros elementos. No entanto o paradigma emergente aparece em uma das falas de uma professora como uma “luz no fim do túnel” para começar a se trabalhar com a educação de um modo conveniente e envolvente.
A falta de um mediador entre o aluno e o conhecimento torna a situação insuficiente para o êxito do processo ensino-aprendizagem. Os conflitos decorrentes de tal condição existem tanto nas escolas públicas como nas privadas, situação esta que comprova a necessidade de um mediador capaz de se enquadrar no paradigma emergente, que saiba realizar uma transposição didática e também que a está fazendo, que torne o conhecimento ensinável, levando em conta as aprendizagens dos alunos, para assim tornar os conteúdos significativos e as aulas mais produtivas, problematizadas e de inteira relação professor-conteúdo-aluno.
O título da obra “Pro Dia Nascer Feliz” é um indicativo da urgente e necessária mudança para melhorar significativamente não só a vida escolar, mas familiar, esta última que conforme observado em vários casos apresentados pelo filme influencia totalmente a produtividade em sala de aula.
Quanto às idéias que apresenta são claras e precisas, e não chega a ser algo totalmente desconhecido do meio educacional, mesmo assim não necessita de conhecimentos prévios, pois a linguagem é simples e fácil de ser apreendida. Jardim consegue apresentar uma abordagem inovadora ao partir das falas dos atores principais deste “filme problema” que é a realidade escolar, nada mais confiável que ouvir os próprios sujeitos do processo de ensino, levando em conta, é claro, as adversidades de cada região deste imenso Brasil.
Sem apresentar uma conclusão, até porque o processo de ensino-aprendiagem e suas relações sócio-culturais não é conclusivo, o autor contribui para um novo olhar sobre as dificuldades e necessidade tanto de professores e alunos como de toda a comunidade envolvida no universo escolar. Desta forma é de grande interesse para a comunidade escolar e familiar contribuindo para um convívio agradável e produtivo, onde o diálogo se torna o caminho mais vi para a solução dos problemas.
Esse documentário é maravilhoso. Onde pudemos nos identificar com fatos que ele trás no qual faz parte dessa experiência que estamos vivendo...è impressionante como a educação é um problema serissimo em nosso país.Pro dia nascer Feliz, revela os erros e acertos para um sucesso na dura realidade de um docente e discente.
ResponderExcluirmuito bom, bjs !!!!!!
Pro dia nascer feliz é uma obra que nos leva a questionar a dura realidade da educação no Brasil , e leva nos a repensamos o papel da escola e o nosso enquanto futuros professores, a rompermos com velhos paradigmas e indo em busca de novos paradigmas. valeuuuuuuuu
ResponderExcluirEsse documentário é muito bom. Tambem postei um comentário no meu blog, depois você entra e conferi. Ele retrata exatamente a realidade de nossas escolas e o descaso que elas enfrentam. Nós, universitários e professores( e futuros professores), sabemos muito bem que tudo que é passado no documentário é a mais pura verdade, e muitos de nois sentimos na pele a realidade de muitas escolas aqui em nossa região.
ResponderExcluirÉ mesmo uma triste realidade que necessita de mudanças imediatas no sistema educacional, para vermos os resultados somente daqui a algumas décadas.
ResponderExcluir