sexta-feira, 16 de julho de 2010

Resenha: Pro Dia Nascer Feliz


JARDIM, João. Pro Dia Nascer Feliz. Filme Documentário, produção TAMBELLINI Filme, São Paulo, ano 2006.

João Jardim nasceu em 1964, no Rio de Janeiro. Formou-se em Jornalismo pela Faculdade da Cidade e estudou Cinema na Universidade de Nova Iorque. Participou do núcleo do diretor Carlos Manga, na TV Globo, onde realizou a minissérie “Engraçadinha” e editou “Memorial de Maria Moura” e “Agosto”. Editou diferentes trabalhos de Walter Salles e Eduardo Escorel para a TV independente. Foi assistente de direção em longas-metragens de Murilo Salles (“Faca de Dois Gumes”) e Cacá Diegues (“Dias Melhores Virão”). Diretor de “A Janela da Alma”, seu primeiro longa metragem que recebeu 11 prêmios nacionais e internacionais.
A produção do filme documentário Pro Dia Nascer Feliz recebeu uma indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Edição - Documentário, ganhou os Kikitos de Ouro de Melhor Filme - Júri Popular, Melhor Trilha Sonora, o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica, no Festival de Gramado, ganhou ainda o prêmio de Melhor Documentário - Júri Oficial, o Prêmio da Juventude e o Prêmio Bombril de Melhor Documentário Brasileiro, na Mostra de Cinema de São Paulo.
O filme é apresentado em cenas coloridas e em preto e branco. A trilha sonora conta com Cazuza e Titãs, tendo como responsável Dado Villa Lobos. A produção é composta por cenas intercaladas e organizadas de modo a apresentar as realidades e particularidades dos alunos e professores, em suas determinadas regiões a partir de suas próprias falas, dirigido, portanto para adolescentes, professores e pais. O objetivo principal da obra é provocar uma reflexão sobre o tema educação de uma forma simples para despertar as pessoas de que a escola precisa ser prioridade. Outros aspectos debatidos são a questão da subjetividade e do comportamento dos envolvidos no processo de aprendizagem. Ele busca trazer uma outra visão para algo já conhecido, na verdade o filme quer apresentar o fato de que muitas coisas precisam ser feitas para mudar o quadro em que a educação se encontra.
O diretor João Jardim apresenta um panorama sobre as adversidades enfrentadas pelo adolescente brasileiro na escola, envolvendo preconceito, precariedade, violência e esperança. Adolescentes de três estados, de classes sociais distintas, falam de suas vidas na escola, seus projetos e inquietações.
Sem dúvida a leitura que se faz de uma produção como esta é de suma importância para futuros docentes se aproximarem, conhecerem e procurarem entender como se dão as relações nesse universo educacional. Nesse sentido são notórias as várias contribuições para quem o analisa por uma vertente crítica, desde as várias realidades apresentadas às falas de otimismo que apontam para a necessidade de se mudar a maneira de lidar com o conhecimento e como apresentá-lo aos alunos. Ainda contribui no que se refere à necessidade de introduzir outros profissionais na educação, além de professores, diretores, secretários, pois em muitas das vezes o professor acaba por fazer o papel que a sua formação não lhe permiti, como por exemplo, psicólogo, assistente social, pai e mãe, o que torna difícil a prática docente ser realizada com resultados positivos.
É um documentário que não apresenta falhas no decorrer de sua exibição, até porque se trata de falas expressas naturalmente de uma triste realidade na vida de professores, alunos adolescentes e confusos, de um sistema educacional fragilizado diante um quadro de professores que pressionam e outros pessimistas e descomprometidos, consequentemente alunos que sofrem com a pressão e com o descaso.
Nas imagens expostas das aulas muitos aspectos de um paradigma tradicional são detectáveis. Professores que não levam em conta o contexto, as vivências dos alunos, ou ainda aqueles que se prendem, no caso da disciplina de História, à grandes heróis, a acontecimentos isolados e formulam perguntas inadequadas aos alunos, entre outros elementos. No entanto o paradigma emergente aparece em uma das falas de uma professora como uma “luz no fim do túnel” para começar a se trabalhar com a educação de um modo conveniente e envolvente.
A falta de um mediador entre o aluno e o conhecimento torna a situação insuficiente para o êxito do processo ensino-aprendizagem. Os conflitos decorrentes de tal condição existem tanto nas escolas públicas como nas privadas, situação esta que comprova a necessidade de um mediador capaz de se enquadrar no paradigma emergente, que saiba realizar uma transposição didática e também que a está fazendo, que torne o conhecimento ensinável, levando em conta as aprendizagens dos alunos, para assim tornar os conteúdos significativos e as aulas mais produtivas, problematizadas e de inteira relação professor-conteúdo-aluno.
O título da obra “Pro Dia Nascer Feliz” é um indicativo da urgente e necessária mudança para melhorar significativamente não só a vida escolar, mas familiar, esta última que conforme observado em vários casos apresentados pelo filme influencia totalmente a produtividade em sala de aula.
Quanto às idéias que apresenta são claras e precisas, e não chega a ser algo totalmente desconhecido do meio educacional, mesmo assim não necessita de conhecimentos prévios, pois a linguagem é simples e fácil de ser apreendida. Jardim consegue apresentar uma abordagem inovadora ao partir das falas dos atores principais deste “filme problema” que é a realidade escolar, nada mais confiável que ouvir os próprios sujeitos do processo de ensino, levando em conta, é claro, as adversidades de cada região deste imenso Brasil.
Sem apresentar uma conclusão, até porque o processo de ensino-aprendiagem e suas relações sócio-culturais não é conclusivo, o autor contribui para um novo olhar sobre as dificuldades e necessidade tanto de professores e alunos como de toda a comunidade envolvida no universo escolar. Desta forma é de grande interesse para a comunidade escolar e familiar contribuindo para um convívio agradável e produtivo, onde o diálogo se torna o caminho mais vi para a solução dos problemas.

4 comentários:

  1. Esse documentário é maravilhoso. Onde pudemos nos identificar com fatos que ele trás no qual faz parte dessa experiência que estamos vivendo...è impressionante como a educação é um problema serissimo em nosso país.Pro dia nascer Feliz, revela os erros e acertos para um sucesso na dura realidade de um docente e discente.
    muito bom, bjs !!!!!!

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  2. Pro dia nascer feliz é uma obra que nos leva a questionar a dura realidade da educação no Brasil , e leva nos a repensamos o papel da escola e o nosso enquanto futuros professores, a rompermos com velhos paradigmas e indo em busca de novos paradigmas. valeuuuuuuuu

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  3. Esse documentário é muito bom. Tambem postei um comentário no meu blog, depois você entra e conferi. Ele retrata exatamente a realidade de nossas escolas e o descaso que elas enfrentam. Nós, universitários e professores( e futuros professores), sabemos muito bem que tudo que é passado no documentário é a mais pura verdade, e muitos de nois sentimos na pele a realidade de muitas escolas aqui em nossa região.

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  4. É mesmo uma triste realidade que necessita de mudanças imediatas no sistema educacional, para vermos os resultados somente daqui a algumas décadas.

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