Jackiria Gino Lula Rezende
Nordeste: olhares que apontam para uma construção deturpada da História
A começar pelo título deste texto é bem pertinente discutir diversos olhares sobre o que é Nordeste. Olhares estes que direcionam para uma região construída a partir da homogeneidade cultural, social e econômica, conforme muitos discursos que se ouvem ainda hoje sobre tal espaço, algo não espantoso, pois se trata de uma construção elaborada por grupos de poder aquisitivo significantes e de maneira objetiva, conforme Durval Muniz de Albuquerque Júnior afirma “o Nordeste, como qualquer recorte regional, nasceu de disputas pelo poder, através de lutas políticas no interior do Brasil...como reação ao processo de declínio econômico e ao desprestígio político das elites nortistas” (p.1). Tratava-se de assegurar para si privilégios e não havia espaço para tantos “chefes”. Desta forma a imagem utilizada para tal criação foi a de um Nordeste de secas e miseravelmente sofrido. É quando esse discurso ganha força e começa a ser transmitido às outras regiões do Brasil, e infelizmente se faz presente, ainda hoje, muitos vestígios de tal.
Seja pela mídia ou no pouco contato entre as pessoas é que o Nordeste homogeneizado foi sendo formulado. As imagens de apelação do nordestino sofrido, que vive em condições subumanas de vida e constantemente é assolado pela seca, divulgaram e divulgam a realidade apenas da parcela que interessa aos políticos em relação ao Nordeste, pois assim se alcançam verbas para programas sociais que “combatem” tais problemas, na verdade isso fica só no papel.
No entanto, os próprios nordestinos muitas vezes se esquecem do local onde vivem e adotam algumas das características a que estão submetidos e faz seu uso em alguns casos contra os próprios nordestinos, algo bastante contraditório e sinalizador da falta de consciência do jogo a qual está submetido.
Muniz de Albuquerque ao discorrer sobre a questão de existir uma identidade nacional e isso ligado ao fato da criação do Nordeste, afirma que esta “é uma construção mental... Falar e ver a nação ou região não é, a rigor, espelhar estas realidades, mas criá-las. São espaços que se institucionalizam, que ganham foro de verdade” (1999, p.27).
Desta forma, de tanto ser induzido por discursos e imagens, cria-se formas de manipulação do imaginário social e coletivo. José Murilo de Carvalho, em sua obra Formação das Almas, fala com muita propriedade sobre a criação de um imaginário capaz de produzir a imagem de um povo homogêneo, com características que precisam ser preservadas para que se alcance um objetivo comum. Porém, ao analisar a população, em vários aspectos, do que se entende por região Nordeste, é claramente visível as diferenças, as particularidades de cada grupo que constitui este espaço. Portanto não seria viável o discurso de que haveria nesta região interesses políticos e econômicos comuns, cultura comum ou mesmo autenticidade nacional por não ter sofrido imigração estrangeira, algo desconstruído quando verificado a presença de mão-de-obra escrava na Bahia, ou seja, negros trazidos da África. Sendo assim caí por terra estas justificativas para criação do Nordeste.
Voltando ao preconceito contra o nordestino e a ignorância sobre tal, quando perguntado sobre o que entende por Nordeste, grande maioria das pessoas, inclusive nordestinas, afirmam ser a região do povo sofrido, do miserável, das secas e atrasada tecnologicamente. É triste, mas verídico, ouvir em pleno século XXI afirmações como do tipo “o Nordeste foi o primeiro a ser povoado” ou “onde se é uma região mais árida e seca do país, onde o número de pessoas com mais dificuldades sociais e econômicas”. A criação foi bem elaborada e seu discurso permanece enraizado. Na pesquisa de campo as respostas apontam para uma visão estereotipada e o mais desconfortável é que parte, em alguns casos, de próprios nordestinos. Eles não analisaram o fato de fazerem parte do Nordeste que definiram, e ainda, não levaram em conta suas diversidades e particularidades, e que existem nessa região espaços litorâneos, metropolitanos e interioranos.
Essa visão de lugar de seca e miséria só é desconstruída quando se tem acesso à visões como a de Muniz, que auxiliam no entendimento quanto à construção do Nordeste. Existem outras visões que apontam para um lugar de povo alegre, festivo, porém onde não há desenvolvimento, este também é um olhar manipulado que caminha para um viés de um local de povo preguiçoso e atrasado.
Considerando toda essa análise da construção do Nordeste, fica evidente que todas as relações de poder aí presentes incluem tanto o discriminado, quanto o discriminador, e que ambos fazem parte e atuam como agentes sociais históricos para reforçar ou desconstruir esta visão deturpada de Nordeste. Fica sempre, para quem conhece novos olhares desta região, o desejo de levar tal conhecimento adiante, a fim de banir este discurso manipulador e que ainda persiste. tal conhecimento adiante, a fim de banir este discurso manipulador e que ainda persiste.
Nordeste: olhares que apontam para uma construção deturpada da História
A começar pelo título deste texto é bem pertinente discutir diversos olhares sobre o que é Nordeste. Olhares estes que direcionam para uma região construída a partir da homogeneidade cultural, social e econômica, conforme muitos discursos que se ouvem ainda hoje sobre tal espaço, algo não espantoso, pois se trata de uma construção elaborada por grupos de poder aquisitivo significantes e de maneira objetiva, conforme Durval Muniz de Albuquerque Júnior afirma “o Nordeste, como qualquer recorte regional, nasceu de disputas pelo poder, através de lutas políticas no interior do Brasil...como reação ao processo de declínio econômico e ao desprestígio político das elites nortistas” (p.1). Tratava-se de assegurar para si privilégios e não havia espaço para tantos “chefes”. Desta forma a imagem utilizada para tal criação foi a de um Nordeste de secas e miseravelmente sofrido. É quando esse discurso ganha força e começa a ser transmitido às outras regiões do Brasil, e infelizmente se faz presente, ainda hoje, muitos vestígios de tal.
Seja pela mídia ou no pouco contato entre as pessoas é que o Nordeste homogeneizado foi sendo formulado. As imagens de apelação do nordestino sofrido, que vive em condições subumanas de vida e constantemente é assolado pela seca, divulgaram e divulgam a realidade apenas da parcela que interessa aos políticos em relação ao Nordeste, pois assim se alcançam verbas para programas sociais que “combatem” tais problemas, na verdade isso fica só no papel.
No entanto, os próprios nordestinos muitas vezes se esquecem do local onde vivem e adotam algumas das características a que estão submetidos e faz seu uso em alguns casos contra os próprios nordestinos, algo bastante contraditório e sinalizador da falta de consciência do jogo a qual está submetido.
Muniz de Albuquerque ao discorrer sobre a questão de existir uma identidade nacional e isso ligado ao fato da criação do Nordeste, afirma que esta “é uma construção mental... Falar e ver a nação ou região não é, a rigor, espelhar estas realidades, mas criá-las. São espaços que se institucionalizam, que ganham foro de verdade” (1999, p.27).
Desta forma, de tanto ser induzido por discursos e imagens, cria-se formas de manipulação do imaginário social e coletivo. José Murilo de Carvalho, em sua obra Formação das Almas, fala com muita propriedade sobre a criação de um imaginário capaz de produzir a imagem de um povo homogêneo, com características que precisam ser preservadas para que se alcance um objetivo comum. Porém, ao analisar a população, em vários aspectos, do que se entende por região Nordeste, é claramente visível as diferenças, as particularidades de cada grupo que constitui este espaço. Portanto não seria viável o discurso de que haveria nesta região interesses políticos e econômicos comuns, cultura comum ou mesmo autenticidade nacional por não ter sofrido imigração estrangeira, algo desconstruído quando verificado a presença de mão-de-obra escrava na Bahia, ou seja, negros trazidos da África. Sendo assim caí por terra estas justificativas para criação do Nordeste.
Voltando ao preconceito contra o nordestino e a ignorância sobre tal, quando perguntado sobre o que entende por Nordeste, grande maioria das pessoas, inclusive nordestinas, afirmam ser a região do povo sofrido, do miserável, das secas e atrasada tecnologicamente. É triste, mas verídico, ouvir em pleno século XXI afirmações como do tipo “o Nordeste foi o primeiro a ser povoado” ou “onde se é uma região mais árida e seca do país, onde o número de pessoas com mais dificuldades sociais e econômicas”. A criação foi bem elaborada e seu discurso permanece enraizado. Na pesquisa de campo as respostas apontam para uma visão estereotipada e o mais desconfortável é que parte, em alguns casos, de próprios nordestinos. Eles não analisaram o fato de fazerem parte do Nordeste que definiram, e ainda, não levaram em conta suas diversidades e particularidades, e que existem nessa região espaços litorâneos, metropolitanos e interioranos.
Essa visão de lugar de seca e miséria só é desconstruída quando se tem acesso à visões como a de Muniz, que auxiliam no entendimento quanto à construção do Nordeste. Existem outras visões que apontam para um lugar de povo alegre, festivo, porém onde não há desenvolvimento, este também é um olhar manipulado que caminha para um viés de um local de povo preguiçoso e atrasado.
Considerando toda essa análise da construção do Nordeste, fica evidente que todas as relações de poder aí presentes incluem tanto o discriminado, quanto o discriminador, e que ambos fazem parte e atuam como agentes sociais históricos para reforçar ou desconstruir esta visão deturpada de Nordeste. Fica sempre, para quem conhece novos olhares desta região, o desejo de levar tal conhecimento adiante, a fim de banir este discurso manipulador e que ainda persiste. tal conhecimento adiante, a fim de banir este discurso manipulador e que ainda persiste.
Infelizmente, apesar dos avanços da democracia no Brasil, nosso Nordeste continua nas mãos dos interesses de coronéis que comandam como senhores feudais a população pobre e os miseráveis. O assunto de sua postagem direciona-nos a uma reflexão sobre os problemas que atravancam nossa evolução econômica e social.
ResponderExcluirComo as pessoas são direcionadas a determinados conceitos e nem sequer percebem, isso não acontece apenas com o Nordeste, tem o Rio de Janeiro, o Brasil e muito mais, exemplos é o que não faltam,para mudar esta visão é complicado e leva anos principalmente quando tem arrolado interesses políticos como é o caso de nossa região.
ResponderExcluirMuito pertinente seu texto colega. O nordeste tem sido ao longo dos tempos, usado como uma empresa de exploração, aumentando a desigualdade social. A seca do nordeste tem sido um fator primordial para as classes dominantes extorqui dinheiro dos cofres públicos, entretanto milhares de nordestinas vivem a margens da pobreza e da miséria, muitos projetos são feitos para amenizar a seca, porém nada acontece na vida dessas pessoas, que são vítimas da lavagem de dinheiro púbico do nosso país.
ResponderExcluirO Nordeste foi uma invenção distorcida, criada por aqueles que procuravam ganhar vantagens com a seca atraves de investimento dada pelo governo.
ResponderExcluirO esteriótipo do Nordeste brasileiro ainda continua fortalecido pela mídia. Expressões como, "uma região miserável", "a seca condena o Nordeste", "lugar sem desenvolvimento", "tem belas praias", são repedidas diariamente, com isso, o Nordeste brasileiro vive um processo de construção de sua identidade, a sua invenção, na atualidade está sendo experimentada.
ResponderExcluirSou nordestino com todo orgulho, apesar de tamanha descriminação!, Este artigo revela uma verdadeira continuidade do que é ainda a visão dos politicos em relação a esta região e o pior que, o que não passava de um interesse de poder extrapolou os muros da discriminação de um povo.
ResponderExcluirParabéns!